terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

o catador (Manoel de Barros)




Um homem catava pregos no chão.
Sempre os encontrava deitados de comprido,
ou de lado,
ou de joelhos no chão.
Nunca de ponta.
Assim eles não furam mais - o homem pensava.
Eles não exercem mais a função de pregar.
São patrimônios inúteis da humanidade.
Ganharam o privilégio do abandono.
O homem passava o dia inteiro nessa função de catar
pregos enferrujados.
Acho que essa tarefa lhe dava algum estado.
Estado de pessoas que se enfeitam a trapos.
Catar coisas inúteis garante a soberania do Ser.
Garante a soberania de Ser mais do que Ter.


Tratado geral das grandezas do ínfimo, Editora Record - 2001, pág. 43

4 comentários:

João d'átila disse...

fala cara,sou de são paulo e gostei do seu blog..
poesia boa ..gosto disso..

acabei de fazer um blog com minhas coisas dá uma olhada..
até

http://caracolenristre.blogspot.com

gaby disse...

nao intendo nada sobre poemas assim kkkkkkkkkkkkkkkk minha mente nao capita o k o poema ker dizer kkkkkkkkkkkkkkk

Anônimo disse...

muito bacana essa poesia

Anônimo disse...

muito bacana essa poesia